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Dr. Elias Jirjoss Ilias, fala sobre sua carreira.

setembro 28, 2017

Por Elias Jirjoss Ilias

1. Fale um pouco de sua trajetória pessoal até chegar à Faculdade de Medicina de Santo Amaro.

Sou de uma família de imigrantes árabes e portanto fui muito influenciado desde a infância para ser médico. Toda família dessa origem se sente muito honrada em ter um médico, já que nos países árabes a medicina é considerada a mais nobre das profissões. Com muito sacrifício minha família, que era muito pobre, conseguiu que eu me formasse em medicina.

Formei-me em 1982 na Faculdade de Medicina de Sorocaba da PUCSP e fiz residência de cirurgia geral na mesma faculdade. A Medicina da PUCSP é uma escola antiga fundada em 1949 e que sempre teve professores muito respeitados e com os quais aprendi a ter disciplina, respeito aos mestres e ao doente e dedicação ao estudo. Só para se ter uma idéia do rigor daqueles tempos, dos 100 alunos que iniciaram a minha turma, apenas 68 se formaram, tamanho era o índice de reprovação e rigor nos estudos. Isso é algo inimaginável nos dias de hoje.

Sempre quis seguir a vida acadêmica, e sendo assim comecei a fazer pós-graduação em Técnica Operatória na Escola Paulista de Medicina, de 1985 a 1987. Só deixei a EPM para trabalhar no Hospital Escola Wladimir Arruda como cirurgião do Pronto Socorro em 1987. Nesse período conheci o Dr. Paulo Kassab na FMSA, o qual me propôs montarmos uma equipe de cirurgia para começarmos a nossa vida cirúrgica. Rapidamente simpatizei com o Paulo e aceitei o convite. Foi uma decisão acertada, já que nosso trabalho conjunto continua até hoje (completa 30 anos agora em 2016). Enfrentamos nestes 30 anos dificuldades de todo tipo, principalmente as diversas crises na Santo Amaro, desde o fechamento do HEWA em 1988 até a nossa demissão em 2008. Na FMSA tivemos, apesar das dificuldades, o nosso período de maior engrandecimento pessoal e acadêmico, onde com a ajuda de professores dedicados e idealistas conseguimos criar uma Disciplina de cirurgia das mais organizadas e produtivas do país com uma linha de pesquisa consolidada e a realização de centenas de estudos e pesquisas. Infelizmente todo esse trabalho foi interrompido em 2008 por fatores alheios a nossa vontade e já conhecido por todos.

2. Qual a importância da FMSA na sua carreira?

Foi o período mais feliz e produtivo de minha vida, pois além do meu aperfeiçoamento como médico e professor foi o local onde fiz meus melhores amigos, que me acompanham até hoje. Nesse período de 23 anos ajudei na formação de quase dois mil médicos e de centenas de cirurgiões, médicos esses com excelente formação e muitos dos quais são professores de escolas médicas renomadas. Foi um período áureo da FMSA em que tive o prazer de participar e de dar minha contribuição como médico e professor.

3. Que atividades você desenvolve atualmente?

Depois de minha demissão em 2008 fui chamado pelo Departamento de Cirurgia da Santa Casa de São Paulo, onde estou até hoje contratado na Área V de estomago, duodeno e obesidade, exercendo atividades assistenciais e como professor do quarto, quinto e sexto anos de medicina.  Na Santa Casa fiz meu mestrado e doutorado, o que criou uma ligação com esta instituição e onde ajudei a criar o Serviço de Cirurgia Bariátrica em 1997.  Devido a esse elo fui chamado para ser docente após o meu desligamento da UNISA. Temos na Santa Casa uma atividade intensa em nossa área – por onde passam mais de 80 residentes de cirurgia por ano e onde realizamos centenas de cirurgias, principalmente de câncer de estomago e cirurgia bariátrica. Participam de nossa área também pós-graduandos de mestrado e doutorado que desenvolvem suas teses em câncer e obesidade. Atuo principalmente na Cirurgia bariátrica da Santa Casa, onde temos um grupo constituído de cirurgiões, endocrinologistas, psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas. Hoje esse serviço está entre os quatro maiores serviços universitários de cirurgia da obesidade do país. Sou também titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e vice-presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Atualmente também ocupo cargo na Diretoria do Centro de Estudos em cirurgia da Santa Casa de São Paulo e sou representante do Departamento de Cirurgia no Instituto de Pesquisa da Faculdade de Ciências Medicas da Santa Casa de São Paulo.

4.Você mantém contato com os seus ex-alunos?

Sim, tenho contato frequente com ex-alunos da FMSA, em diversos hospitais em que atuo, nas associações médicas e socialmente no meu círculo pessoal.

 

5. Você pratica algum esporte?

Atualmente só caminhada, musculação e pilates. Já fui lutador de boxe por muitos anos, tenho uma tradição familiar neste esporte. Meu irmão foi campeão brasileiro de boxe e desde criança frequentei as academias e aprendi a gostar deste esporte.

6. Que sugestão você daria para quem está cursando – atualmente – a FMSA?

Em primeiro lugar lutar por um hospital escola PRÓPRIO com pelo menos 100 leitos e com toda a infraestrutura para a formação de médicos de qualidade, com laboratório, UTI, endoscopia, centro cirúrgico, radiologia, etc. Não se deixarem enganar com pseudo-hospitais do tipo “Hospital Dia”, “Hospital Saúde da Família” e outros (hospitais conveniados que mudam de gestão e de objetivos a cada quatro ou oito anos, de acordo com a conveniência politica do momento), que tem baixo custo e são insuficientes para a formação de médicos que saibam lidar com doenças complexas. Acabam formando médicos “triadores” trabalhando em locais sem qualquer estrutura de atendimento digno e munidos apenas de carimbo e estetoscópio, que só tem a alternativa de encaminhar os doentes a centros de referência.

O aluno deve frequentar o Hospital Escola o máximo que puder, sempre acompanhando as visitas e discussões de casos. Não deve se prender muito a aulas teóricas e deve se dedicar as atividades práticas dentro do hospital. Deve estar sempre bem apresentável, tratar todos com educação e respeitar seus mestres. Deve ser ético em todas as situações e identificar os professores mais comprometidos e acompanhá-los em suas atividades dentro e fora da universidade. Após se formarem devem fazer residência medica em hospital escola, de preferencia com tradição no ensino e com corpo de professores gabaritado. E SEMPRE se associar as pessoas de bem.

7. Pode sugerir um livro?

Para ser um bom médico e entender a vida:  Médico de homens e de almas, de Taylor Caldwell, que retrata a vida de São Lucas.

Para fortalecer a alma:  O profeta”, de Gibran Kalil Gibran.

Para entender o que vem depois da morte: “Nosso Lar”, de Chico Xavier.

Para entender a medicina moderna e ter um exemplo de médico: ler sobre a vida de William Osler, que é o pai da medicina moderna. Um exemplo de amor pela medicina.

Para os cirurgiões:  Cirurgia Abdominal de Maingot

 

Elias Jirjoss Ilias

Professor Doutor do Departamento de Cirurgia da Santa Casa de São Paulo

Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

Ex- Professor da FMSA