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Quais são os tratamentos para HPB?

setembro 26, 2017

A Hiperplasia Prostática Benigna é progressiva e deve ser tratada quando causa obstrução. Alguns medicamentos podem ser administrados no início da doença, como os alfa bloqueadores, que relaxam a musculatura involuntária da próstata e da saída da bexiga (colo vesical), facilitando a abertura da uretra durante a micção. São medicamentos sintomáticos, de ação imediata, não tratam a doença. Outra classe de medicamentos são os inibidores da conversão da testosterona. Estes podem ser prescritos quando a próstata é maior, objetivam impedir a progressão da doença, e seus efeitos sobre os sintomas são discretos. No entanto eles podem ter algum impacto negativo na qualidade de vida sexual do paciente. Uma terceira classe, mais recente de medicamento, são os inibidores da fosfodiesterase, aqueles conhecidos por tratar problemas de ereção, especialmente a Tadalafila diária pode ser utilizada no tratamento dos sintomas da HPB. Esta é uma boa opção para os pacientes que apresentam disfunção erétil e sintomas de HPB. Para tratar os sintomas de Bexiga Hiperativa associada a HPB, existe outra classe de medicamentos, os anticolinérgicos, que relaxam o músculo da bexiga, e diminuem a frequência e urgência urinária.

O tratamento curativo da HPB, quando há obstrução, é cirúrgico, a ressecção do adenoma, remove-se o “miolo” da próstata, a parte que circunda a uretra. Isto é realizado, na maioria dos casos, pela uretra, a ressecção endoscópica, transuretral, da próstata (RTU). Ao longo do tempo surgiram diversos aparelhos com tecnologias diferentes para este fim, como o laser, embolização e lift prostático nos últimos anos; mas a RTU, mono e mais recentemente a bipolar, continua sendo o “padrão ouro” no tratamento endoscópico da obstrução causa pela próstata. A cirurgia aberta ou laparoscópica, via abdominal, pode ser indicada quando a próstata é muito grande para a cirurgia transuretral.

O momento de indicar o tratamento cirúrgico é um ponto importante. A indicação cirúrgica é clara quando há complicações secundárias à obstrução, como cálculo na bexiga, infecção urinária de repetição, dilatação das vias urinárias superiores (represamento de urina), sangramentos recorrentes, hérnia inguinal associada (principalmente se bilateral), e retenção urinária com necessidade do uso de sonda. Na ausência destas complicações, a indicação do tratamento cirúrgico não tem um ponto definido na evolução da HPB e depende da discussão sobre riscos e benefícios entre paciente e seu urologista. A falha no tratamento farmacológico, na presença de obstrução, e principalmente, se sinais de repercussão sobre a bexiga, como espessamento, trabeculação e sintomas de Bexiga Hiperativa surgem ao longo do tempo, o tratamento cirúrgico deve ser aventado e discutido. É importante ressaltar que, diferente da cirurgia para câncer de próstata, a cirurgia para HPB não está relacionada a complicações como disfunção erétil e incontinência urinária.

Luís Gustavo Morato de Toledo
Prof. Assistente Disciplina de Urologia, Depatamento de Cirurgia, Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.